Doenças raras foram ‘campo de provas’ para golpe da vacina

A se confirmarem as denúncias sobre esquemas duvidosos na compra de vacinas para Covid-19, será possivel estabelecer um elo entre estas falcatruas e outras supostamente ocorridas no passado, envolvendo tratamentos para doenças raras.

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A edição do Fantástico de domingo passado (4/7) retratou em profundidade os escândalos (clique no vídeo neste link para ter um retrato amplo da situação) envolvendo tanto a empresa Davati (com uma suposta oferta de vacinas da Astrazeneca), como a vacina Covaxin, da Bharat Biontech.

No centro do escândalo relacionado a esta última aparece, em destaque, como principal suspeito, o nome do ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (Progressistas-PR), atual líder do governo na Câmara.

Barros é um velho conhecido dos doentes raros, mas por razões nada lisonjeiras.

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Pessoas com doenças reumáticas autoimunes raras têm risco aumentado de morrer de Covid-19

Se você tem mais de 35 anos e vive com uma doença reumática autoimune rara (lúpus, vasculite, esclerodermia, miosite e artrite idiopática juvenil) não pode deixar de ler este post.

Um novo estudo publicado na revista Rheumatology mostra que pessoas com mais de 35 anos com doenças reumáticas autoimunes raras, como lúpus, vasculite, esclerodermia, miosite e artrite idiopática juvenil estão em risco elevado de morrer durante a pandemia.

O projeto RECORDER (Registro de Exemplos de Doenças Raras Complexas em Reumatologia) analisou 170 mil registros de saúde e descobriu que, em março e abril, 1,1% das pessoas com essas doenças morreram. Isso é 1,44 vezes maior do que a taxa de mortalidade média dessa comunidade nos meses equivalentes dos últimos cinco anos e 0,06 vezes mais do que a população geral da Inglaterra, cuja mortalidade nesse período foi 1,38 vezes maior.

A Dra. Fiona Pearce, co-autora do estudo, disse:

“Pessoas com doenças raras geralmente apresentam resultados de saúde mais precários, então queríamos descobrir qual foi o impacto da pandemia. Agora sabemos que durante os primeiros meses da pandemia, as pessoas com essas doenças tinham maior probabilidade de morrer do que a população em geral. ”

Fiona agora planeja examinar os dados do atestado de óbito para determinar a causa da mortalidade, bem como o impacto das medidas protetivas, para ajudar a orientar os médicos e formuladores de políticas sobre em quais serviços de saúde se concentrar, bem como na priorização de vacinas.

O presidente da Sociedade Britanica de Reumatologia, Dr. Sanjeev Patel, disse:

“Esses resultados são extremamente importantes para a comunidade reumatológica. Essas condições podem ser raras, mas quando as examinamos em conjunto , vemos um número significativo de pessoas. Este é um grande estudo que mostra pela primeira vez que um subgrupo de pacientes sob nossos cuidados corre um risco maior de morrer durante a pandemia e em uma idade muito mais jovem. Ainda não sabemos as razões, mas este estudo traz em foco a necessidade de ser mais vigilante com esses pacientes – isso deve ajudar a informar futuros conselhos de proteção. “

Outras descobertas principais incluem:

  • Mulheres com doenças reumáticas autoimunes raras tiveram um risco de morte semelhante aos homens durante o COVID-19 – enquanto geralmente o risco de morte é menor.
  • O risco de pessoas em idade produtiva com doenças reumáticas autoimunes raras morrerem durante o COVID-19 foi semelhante ao de alguém 20 anos mais velho na população em geral.

A paciente Lynn Laidlaw diz que embora este relatório seja uma “leitura assustadora”, ela o vê como um ponto de partida para a melhoria da comunicação entre os departamentos de reumatologia e os pacientes para ajudá-los a gerenciar melhor suas condições durante a pandemia e depois dela.

A paciente Nicola Whitehill acrescenta: “Desde a pandemia, todas as minhas consultas médicas foram canceladas ou conduzidas por telemedicina. Esta pesquisa deve ser o catalisador para descobrir com urgência as razões pelas quais as pessoas com essas condições foram tão adversamente afetadas. ”

O estudo é uma iniciativa conjunta da Universidade de Nottingham e do Serviço Nacional de Registro de Doenças da Public Health England.

A orientação e a estratificação de risco da SBR permanecem inalteradas a despeito desses novos desenvolvimentos. Como os autores deixaram claro, este artigo mostra risco aumentado de morte, mas não mostra a causa da morte. Mais estudos são necessários para determinar isso.


Fonte: Traduzido de Rheumatology

Relatório revela influência da indústria farmacêutica sobre as associações de pacientes

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A teia de dinheiro e influência construída pelas Big Pharma ao longo de décadas se estende de forma importante sobre as organizações que representam pacientes ou afirmam representá-los. Isto cria conflitos de interesse e restrições até mesmo para os grupos mais respeitados, quando se trata de reformas críticas na precificação de medicamentos.

Essas são as conclusões de um novo relatório publicado nos EUA pela Patients For Affordable Drugs.

A mão oculta: a influência da indústria farmacêutica nos grupos de defesa de pacientes traça um retrato do poder do dinheiro e das relações organizacionais entrelaçadas entre as empresas farmacêuticas e as principais associações estadunidenses de pacientes.

Ele também documenta o papel do dinheiro da Big Pharma em “instituições filantrópicas” multimilionárias de assistência ao paciente e outros grupos que afirmam falar pelos pacientes, mas na verdade são ferramentas da indústria farmacêutica criadas para servir aos seus interesses, incluindo a proteção unilateral de seu poder de precificação.

A este respeito, David Mitchell, um paciente com câncer e fundador da Patients For Affordable Drugs, assim se pronunciou:

“Associações de pacientes legítimas fornecem serviços importantes, incluindo educação e apoio ao paciente, defesa para garantir cobertura adequada e pesquisa de novos tratamentos. Mas eles dependem fortemente de financiamento de corporações farmacêuticas, que muitas vezes ocultam.

Como resultado, na questão do preço dos medicamentos, elas têm conflitos de interesse que são facilmente aparentes e são impedidas de assumir posições contrárias aos seus financiadores da indústria.”

David Mitchell

O relatório, compilado ao longo de vários meses, examina uma amostra de 15 organizações nacionais de pacientes respeitadas e influentes. Estas associações fornecem serviços valiosos e importantes aos pacientes e são fortes defensoras da cobertura e do financiamento de pesquisas. O relatório, no entanto, mostra como sua dependência financeira da indústria farmacêutica, que quase nunca é totalmente divulgada, lhes impede de tomar posições sobre propostas de políticas que são contestadas pela indústria, mas são amplamente apoiadas pelos americanos em geral.

Especificamente, o relatório concluiu que:

Todas, exceto uma das 15 principais associações de pacientes estadunidenses, não divulgam completa e claramente o montante total de financiamento que recebem da indústria farmacêutica. Embora muitos dos 15 grupos apoiem a redução de custos diretos, algo que a indústria aprova, nenhuma delas apoiou propostas que permitissem que o Medicare negociasse preços mais baixos de medicamentos nos últimos dois anos, uma política rejeitada pela indústria. Medicare é o sistema de seguros-saúde administrado pelo governo dos EUA.

O financiamento de empresas farmacêuticas para “instituições filantrópicas de assistência ao paciente” produz um retorno importante sobre o investimento, às custas dos contribuintes: até 21 milhões de dólares para cada 1 milhão de dólares investido. Duas, das quatro instituições filantrópicas examinadas, recentemente entraram em acordos judiciais com o governo por coordenação ilegal com seus ‘patrocinadores’ vinculados à indústria farmacêutica.

“Pacientes, legisladores e mídia precisam saber, quando ouvem o posicionamento de uma associação de pacientes sobre uma questão política, que o fato de ser financiada por empresas farmacêuticas pode afetar as posições públicas que a associação assume”.

 

Mitchell verificou que um grupo que representa pacientes com câncer (a International Myeloma Foundation) dependia de duas empresas farmacêuticas para 57% de seu financiamento total em 2019.

“Isso ajuda a explicar as posições assumidas no passado contra as reformas para reduzir os preços dos medicamentos e por não se pronunciar a favor das reformas que os americanos apóiam em sua maioria, como a negociação direta de preços do Medicare”, observou Mitchell.

Perguntas delicadas

O relatório orienta os formuladores de políticas, autoridades eleitas e a mídia a indagarem associações que defendem questões de preços de medicamentos com as seguintes perguntas, de forma a  melhor compreender suas relações com a indústria farmacêutica:

  • Quanto recebe da indústria farmacêutica?
  • O financiamento da indústria farmacêutica é total e claramente divulgado em seu site?
  • Você tem representantes da indústria farmacêutica no conselho (board)?
  • Você já assumiu posições contrárias àquelas dos financiadores da indústria farmacêutica?

Uma cópia completa do relatório pode ser visualizada aqui (em inglês).

 


Traduzido e adaptado de Patients for Affordable Drugs

Para saber mais:

As duas faces do advocacy