Como lidar com a indústria farmacêutica (II)

Hoje publicamos a segunda parte das recomendações propostas por Susan Stein e cols. para disciplinar as relações entre associações de pacientes e indústria farmacêutica.

Tais recomendações foram publicadas recentemente na Orphanet Journal of Rare Diseases (em inglês) .

O referido documento é composto de quatro partes. Ontem publicamos a primeira parte.

Deixe nos comentários sobre opinião sobre como deve ser esta relação!

2. ENGAJAMENTO E PRIVACIDADE DO PACIENTE

A associação de pacientes encoraja e capacita o diálogo direto e a troca de informações entre pacientes e empresas biofarmacêuticas que desenvolvem potenciais terapias para a doença rara em questão. A voz do paciente é fundamental ao longo do processo de desenvolvimento de medicamentos, ao promover a consciência da doenças e compartilhamento da perspectiva de pacientes e cuidadores. A associação de pacientes assegura a privacidade dos dados oferecidos pelos seus membros à organização.

2.1. Qualquer engajamento entre uma empresa biofarmacêutica e uma associação de pacientes deve ter como finalidade fazer avançar a compreensão da doença ou dos esforços de pesquisa e deve ter um propósito explícito bem claro ou um conjunto de objetivos.

2.2. As interações diretas entre pacientes específicos e empresas biofarmacêuticas são melhor arranjadas com o envolvimento ou conhecimento geral da associação de pacientes. A associação de pacientes pode escolher uma alternativa entre uma variedade de abordagens possíveis com relação a estas interações: desde facilitar ativamente tais diálogos a, possivelmente, oferecer treinamento e educação sobre as melhores práticas para os membros da comunidade de pacientes.

Incluir a associação de pacientes nesses diálogos leva ao seguinte:

  • Assegura justiça e transparência no interior da comunidade de pacientes.
    A informação oferecida pela empresa biofarmacêutiaca a um paciente é compartilhada com todos os pacientes que têm direito a esta informação. Assim, os pacientes fora da conversação têm uma igual oportunidade de expressar suas opiniões para a empresa biofarmacêutica.
  • Assegura que a comunidade de pacientes está adequadamente bem representada junto à empresa biofarmacêutica. As vozes individuais dos pacientes devem ser consideradas no contexto da comunidade como um todo; a experiência de um paciente pode não refletir a experiência de outros.
  • Permite o acesso a profissionais, tais como consultores financeiros e operadores do direito , que podem aconselhar a organização, informar o diálogo e ajudar pacientes individuais a evitar riscos legais e financeiros.
    Ajuda a evitar mal-entendidos em conversas entre pacientes individuais e empresas biofarmacêuticas.
    Permite que a organização aconselhe os pacientes sobre a proteção de sua privacidade pessoal e de saúde em qualquer atividade de coleta de dados.
  • Permite que a associação de pacientes compreenda melhor as necessidades e intenções tanto do paciente como da empresa biofarmacêutica de modo a promover avanços que beneficiem a comunidade de pacientes como um todo.

2.3. A associação de pacientes encoraja as empresas biofarmacêuticas a obter informações sobre a doença a partir da discussão em grupo e não com base em vozes individuais. Uma boa prática é a formação de conselhos consultivos compostos de pelo menos três pacientes. O formato de conselho consultivo ajuda a assegurar que as visões da comunidade são adequadamente representadas e que o trabalho não é indevidamente exigido a um o outro indivíduo. A associação de pacientes pode oferecer orientações e treinamento para pacientes e familiares acerca das melhores práticas para interações efetivas com as empresas biofarmacêuticas a partir da atividade de um conselho consultivo.

2.4. A associação de pacientes espera que os aprendizados e desfechos de todas as interações serão abertamente compartilhadas entre as partes visando o benefício mútuo. Já no início destas colaborações, a associação de pacientes pode oferecer às empresas orientações ou expectativas sobre como aprendizados e desfechos podem ser melhor compartilhados com sua comunidade em particular.

2.5. Líderes da associação de pacientes (isto é, estafe, membros de conselho e membros de comitês) ou indivíduos representando a comunidade da doença podem ser convidados pelas empresas biofarmacêutica para falar nos encontros internos da empresa biofarmacêutica, em eventos públicos por ela patrocinados ou encontros com agências regulatórias. a associação de pacientes avalia cada convite e aceita aqueles que promovem a educação ou a consciência sobre a doença e que elevam a voz do paciente de um modo que seja consistente com os pontos aqui neste documento esboçados.

2.6. A associação de pacientes toma providências para proteger toda informação confidencial e pessoal de pacientes, tanto dentro da organização como quando compartilhada com entidades externas, observando as leis e regulamentos aplicáveis nestes casos.

A associação de pacientes desempenha as seguintes funções:

  • Assiste pacientes individuais no pensar sobre as decisões acerca do oferecimento de informação ou consentimento.
  • Ajuda os pacientes a veicular suas expectativas sobre privacidade.
  • Certifica-se de que as empresas biofarmacêuticas, e outras organizações, tenham orientações simples  ou uma política para assegurar a privacidade de quaisquer dados a serem coletados, incluindo levantamentos, fotografias, gravação de audio e vídeo, slide decks e foruns de consentimento .

2.7. A associação de pacientes recomenda apacientes e indústria que informações da saúde pessoal do paciente não devem ser gravadas pela empresa  biofarmacêutica, sem consentimento informado.

2.8. A associação de pacientes orienta pacientes e indústria sobre o valor de se compartilhar dados com a comunidade de pesquisas para futuras necessidades, e encoraja o emprego de termos de consentimento que permitam a pesquisa secundária sobre dados, do mesmo modo como permitido pelos pacientes. Grupos de pacientes podem encorajar o compartilhamento de dados sobre conclusão de estudos.

Deixe um comentário

Visit Us
Tweet
error: Corta e cola, não!

REPUBLISHING TERMS

You may republish this article online or in print under our Creative Commons license. You may not edit or shorten the text, you must attribute the article to Academia de Pacientes and you must include the author’s name in your republication.

If you have any questions, please email ccordovil@gmail.com

License

Creative Commons License AttributionCreative Commons Attribution
Como lidar com a indústria farmacêutica (II)