Como lidar com a indústria farmacêutica? (I)

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Susan Stein e colaboradores publicaram recentemente, na revista Orphanet Journal of Rare Diseases, interessantes recomendações para disciplinar as relações entre a indústria farmacêutica e as associações de pacientes com doenças raras.

Para tanto, ela e seu grupo convocaram um painel de especialistas independentes, especializado em colaborações entre associações e indústria farmacêutica, em abril do ano passado. A finalidade era desenvolver  orientações de consenso sobre estes relacionamentos.

Estas orientações foram inspiradas em documento originalmente publicado pela Associação Internacional de Fibrodisplasia Ossificante Progressiva (IFOPA), que, na ocasião, foram revistas e adaptadas pelo Painel de Especialistas já citado e. adicionalmente. por seis especialistas independentes ligados a associações de pacientes e à indústria.

O referido documento é dividido em quatro partes:

  • Identificação e engajamento com as empresas;
  • Engajamento e privacidade do paciente;
  • Contribuições financeiras;
  • Comunicação de testes clínicos e apoios.

A proposta dos autores é a de que estas recomendações se transformem em um documento ‘vivo’, podendo ser atualizado e adaptado pelas associações sempre que conveniente, desde que observadas as boas práticas do setor.

Dada a extensão do documento, optamos por apresentá-lo aqui em quatro partes. Hoje iniciamos com a seção “Identificação e Engajamento com as empresas”.

1. Identificação e engajamento com as empresas

1.1. A associação de pacientes deve proativamente buscar contatos com as empresas biofarmacêuticas que revelem interesse ou atuação em descoberta de medicamentos, pesquisa pré-clínica ou pequisa clínica na doença rara em questão. As associações de pacientes também podem contatar empresas que ainda não estejam trabalhando com doenças raras que lhes interessam, mas que tenham uma tecnologia relevante.

1.2. A associação de pacientes busca informações sobre os objetivos e planos das empresas biofarmacêuticas e sobre a terapia potencial sendo avaliada, quando apropriado. Em troca, a associação de pacientes brinda as empresas biofarmacêuticas com visões e perspectivas, quando necessário e apropriado para informar os esforços de desenvolvimento e as decisões estratégicas da empresa.

1.3. A associação de pacientes colabora com as empresas biofarmacêuticas que estão conduzindo pesquisas de alto nível em bases éticas e de um modo responsável, e observando os padrões regulatórios industriais, nacionais e internacionais. A colaboração pode incluir um amplo espectro de atividades, tais como trocas de informação, acesso a especialistas na doença, acesso a ferramentas e infraestrutura (p. ex.:  dados da história natural da doença e amostras biológicas) e troca de recursos.

1.4. A  associação de pacientes esforça-se para colaborar com múltiplas empresas biofarmacêuticas, para assegurar a sustentabilidade de suas iniciativas e permitir a obtenção para si de uma diversidade de visões e abordagens terapêuticas.

1.5. A associação de pacientes discute metas e expectativas de colaboração no início dos contatos com as empresas biofarmacêuticas, para se assegurar de que a mesma é mutuamente favorável. A associação de pacientes reserva o direito de encerrar a cooperação com a empresa biofarmacêutica, se as metas das duas entidades não estiverem alinhadas.

1.6. A fim de evitar conflitos de interesse, a associação de pacientes não permite que representantes da empresa biofarmacêutica que está ativamente desenvolvendo ou vendendo terapias para a doença tenha assento no conselho deliberativo da associação.

 

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2 comentários em “Como lidar com a indústria farmacêutica? (I)”

  1. esse assunto é de maior importância no meu ponto de vista. Tenho relacionamento com indústrias farmacêuticas no Brasil e no exterior e é uma situação muito delicada. Existem limites que não devem ser ultrapassados, por parte da associação e por parte da indústria.

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