Neil Grubert

Estudo: Avaliação de Tecnologias em Saúde é Pouco Utilizada por Planos de Saúde nos EUA

NEIL GRUBERT

Como as Avaliações de Tecnologias em Saúde (ATS) são usadas pelos planos de saúde comerciais dos EUA para produtos farmacêuticos especializados? Um novo estudo analisou dados de 17 planos com cerca de 200 milhões de vidas cobertas (aproximadamente 70% da população segurada comercialmente) .

Usando o banco de dados do Tufts Medical Center Specialty Drug Evidence and Coverage, os autores identificaram 14.033 citações em sete categorias mutuamente excludentes:

  • diretrizes clínicas/de tratamento
  • revisão sistemática e/ou meta-análises
  • ensaios clínicos randomizados
  • outros estudos clínicos
  • evidência de mundo real
  • avaliação de tecnologias em saúde
  • avaliação econômica que, de outra forma, não se qualificava como ATS

As avaliações de tecnologias em saúde representaram apenas 450 (3,2%) das citações (0,1-7,4% das evidências citadas), sendo que 94,2% destas, convencionais.

Foram citados os resultados da ATS de 27 órgãos. As organizações no Reino Unido foram responsáveis por 44,6% de todas as citações, sendo o NICE o órgão mais citado (30,7%). As organizações dos EUA foram responsáveis por 34,7% das citações, com o ICER como o principal player (17,7%). A Agência de Medicamentos do Canadá foi a terceira organização mais citada (13,4%). Curiosamente, o Instituto de Efetividade Clínica e Política de Saúde da Argentina ficou em quinto lugar geral (5,4%). As agências da Europa continental representaram apenas 1,6% das citações.

Deve-se notar que um plano de saúde foi responsável por mais da metade de todas as citações de ATS e pelo maior percentual de citações de ATS (7,4%). Este plano também foi responsável por 76,2% de todas as citações de fontes ATS estrangeiras. Assim, se esse plano for excluído da análise, as fontes dos EUA – notadamente o ICER – tornam-se muito mais proeminentes, respondendo por 63,7% das citações.

As citações de ATS foram mais comuns para tratamentos de distúrbios neurológicos (22% das citações), condições musculoesqueléticas (19%), cânceres (13%) e distúrbios dermatológicos (12%). Os medicamentos órfãos representaram 40,6% das citações.


Por que os planos de saúde dos EUA usam ATS? Esses relatórios são frequentemente publicados próximo do momento da autorização de comercialização e fornecem informações oportunas para apoiar as decisões de cobertura, principalmente para tratamentos complexos e medicamentos órfãos. A maioria das ATS da amostra abordou a relação custo-efetividade, o que provavelmente será uma consideração crítica para medicamentos de alto custo, como terapias genéticas. Alguns planos de saúde podem não ter recursos para realizar suas próprias ATS.

Os autores alertam, no entanto, que as ATS fora dos EUA “podem não capturar totalmente os custos e benefícios relevantes para os Estados Unidos, principalmente para pagadores comerciais. Por exemplo, os pagadores dos EUA podem priorizar horizontes de tempo mais curtos devido às altas taxas de rotatividade de pacientes. No entanto, o fato de alguns pagadores dos EUA citarem ATS estrangeiras sugere que certas informações dessas avaliações são consideradas relevantes para seus processos de tomada de decisão. A falta de capacidade do ICER de avaliar todas as novas terapias também pode ser um fator no uso de avaliações fora dos EUA. O instituto “deve explorar sua influência examinando a frequência com que as decisões de cobertura se alinham com as recomendações de políticas do ICER”.


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Neil Grubert
Neil Grubert é especialista em acesso ao mercado farmacêutico com mais de 30 anos de experiência no rastreamento dos mercados globais de medicamentos. Ele é autor de mais de 150 relatórios sobre acesso ao mercado, cobrindo 20 mercados maduros e emergentes, várias áreas terapêuticas e vários problemas do setor. Atualmente trabalha como consultor independente. O blog Academia de Pacientes detém direitos exclusivos de reprodução dos posts de Neil Grubert em lingua portuguesa. Você pode ler artigos de Neil Grubert neste blog às quartas e sextas-feiras

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