Téléthon 2025 ultrapassa 600 milhões de reais e renova aposta na pesquisa sobre doenças raras


O Téléthon 2025 arrecadou cerca de R$ 604 milhões (100.548.314 de euros). É o melhor resultado desde que a maratona televisiva foi criada, há quase 40 anos, em 1987, pela Associação Francesa de Distrofia Muscular (AFM-Téléthon), agremiação dedicada à pesquisa em doenças neuromusculares.

A cifra, em si, não dá a dimensão da sua relevância. O que importa é a destinação: terapia gênica, genômica e ensaios clínicos, que levam anos para produzir resultados e dependem de um financiamento estável para não serem interrompidos pela metade. A reputação da AFM deriva de décadas de investimento consistente. Elas resultaram em tratamentos pra valer, incluindo alguns disponíveis comercialmente.


Quando o evento surgiu, doenças neuromusculares, como a distrofia muscular de Duchenne, eram praticamente desconhecidas fora da medicina especializada. As pessoas por ela acometidas eram tratadas como freaks (monstros). Não havia perspectiva de tratamento. As famílias se viravam sozinhas. O Telethon foi criado para mudar este estado de coisas: arrecadar dinheiro, mas também tornar pública uma realidade que o sistema de saúde francês não resolvia com os próprios recursos.


Trinta e oito anos depois, algumas crianças que não teriam sobrevivido à infância chegaram à vida adulta. Mas a presidente da AFM, Laurence Tiennot-Herment, foi incisiva: 95% das doenças raras ainda não têm tratamento. A promessa está sendo cumprida gradualmente. É isso que justifica continuar pedindo dinheiro todo mês de dezembro.


A edição deste ano mobilizou 260 mil voluntários em 13 mil municípios franceses, com 22 mil eventos locais e cerca de 4 milhões de participantes. A cantora Santa foi a madrinha; as famílias de Lucie, Maxence, Paulin e Noé, as embaixadoras.


O 40º Téléthon vai acontecer nos dias 4 e 5 de dezembro de 2026.

O que é o Telethon?


O Téléthon é uma maratona televisiva de arrecadação de fundos organizada pela AFM-Téléthon, associação francesa fundada por famílias de pacientes com doenças neuromusculares. Todo ano, no início de dezembro, o evento transmite, durante dois dias seguidos, depoimentos de pacientes, apresentações artísticas e convites para doação, enquanto voluntários distribuídos por todo o território francês organizam atividades locais. O modelo foi inspirado no Telethon americano, criado por Jerry Lewis nos anos 1960, e adaptado para a realidade francesa em 1987. Os recursos arrecadados financiam pesquisas conduzidas ou apoiadas pela própria AFM, com foco em terapia gênica e doenças raras, área em que a associação se tornou um dos principais financiadores privados do mundo.

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