{"id":13,"date":"2020-11-02T12:10:31","date_gmt":"2020-11-02T15:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/academiadepacientes.wordpress.com\/?p=4"},"modified":"2020-11-02T12:10:31","modified_gmt":"2020-11-02T15:10:31","slug":"primeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiadepacientes.com.br\/?p=13","title":{"rendered":"Como fazer as doen\u00e7as raras entrarem na Sa\u00fade Coletiva?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem depende do <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sistema \u00danico de Sa\u00fade<\/a>\u00a0, tendo uma doen\u00e7a rara ou sendo familiar de uma pessoa vivendo com ela, tende a desconhecer a cultura pol\u00edtica que plasmou o SUS na d\u00e9cada de 1980. Por isso talvez n\u00e3o compreenda parte importante dos problemas que enfrenta quando precisa recorrer a ele, nesta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o SUS \u00e9 um dos poucos sistemas de sa\u00fade do mundo que aceitou o desafio de oferecer cobertura universal em sa\u00fade para mais de 100 milh\u00f5es de habitantes. Em alguns pontos \u00e9 bem-sucedido neste intento (como na <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/a>), mas em outros talvez deixe a desejar, como no setor de <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">alta complexidade<\/a>, que em algum momento ser\u00e1 demandado pelos portadores de doen\u00e7as raras que n\u00e3o possam arcar com os custos dos planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O SUS na realidade \u00e9 fruto do que ficou conhecido como <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Reforma Sanit\u00e1ria<\/a>\u00a0e que nada mais foi do que um projeto de reforma pol\u00edtica do Pa\u00eds, a partir do vetor da sa\u00fade, em contexto de resist\u00eancia contra a ditadura. Suas bases te\u00f3ricas, metodol\u00f3gicas e operacionais assentam-se no que se conhece como <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sa\u00fade Coletiva<\/a>, uma jabuticaba, produto tipicamente nacional, por assim dizer, que <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apresenta diferen\u00e7as<\/a> com aquele campo de que provavelmente voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar: a Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim de forma bem resumida, podemos dizer que a Sa\u00fade Coletiva enquanto campo de estudos e pesquisas se baseia em um trip\u00e9: <strong>Epidemiologia<\/strong>, <strong>Ci\u00eancias Sociais<\/strong> e<strong> Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Publicas<\/strong>. E a\u00ed come\u00e7am os problemas para doentes raros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata de <strong>Epidemiologia,\u00a0<\/strong>temos limita\u00e7\u00f5es<strong>\u00a0<\/strong>em ver os interesses dos doentes raros contemplados de forma adequada<strong>\u00a0<\/strong>porque a epidemiologia convencionalmente \u00e9 uma ci\u00eancia de grandes n\u00fameros! E os raros em cada uma de suas doen\u00e7as s\u00e3o em pequeno n\u00famero, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de <strong>Ciencias Sociais,<\/strong> o problema \u00e9 um pouco diferente. Aqui, \u00a0tem a ver com as abordagens usualmente empregadas para investigar fen\u00f4menos sociais em Sa\u00fade. Em Ci\u00eancias Sociais da Sa\u00fade, tr\u00eas abordagens te\u00f3ricas s\u00e3o mais usuais. Mas existem s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es nestas abordagens que t\u00eam dominado a an\u00e1lise sociol\u00f3gica convencional das transforma\u00e7\u00f5es dos cuidados em sa\u00fade (economia pol\u00edtica\/Marx, domin\u00e2ncia profissional\/Talcott Parsons e governamentalidade\/Foucault). Embora \u00fateis para evidenciar as rela\u00e7\u00f5es entre poder, desigualdade e domina\u00e7\u00e3o e reivindicar justi\u00e7a distributiva, tais abordagens convencionais se revelam insuficientes para estudar as m\u00fatuas rela\u00e7\u00f5es entre conhecimento\/inova\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas de sa\u00fade, que \u00e9 o caso, quando se pensa em doen\u00e7as raras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, temos o campo das <strong>Avalia\u00e7\u00f5es de Pol\u00edticas P\u00fablicas<\/strong> como parte do trip\u00e9 que comp\u00f4e a tal da Sa\u00fade Coletiva. Aqui, os portadores de doen\u00e7as raras podem ter alguma esperan\u00e7a de ver estudos interessantes que lhes esclare\u00e7am sobre limita\u00e7\u00f5es e vantagens das pol\u00edticas relacionadas \u00e0s doen\u00e7as raras no Brasil, como a Portaria 199. \u00a0O professor Natan Monsores, colaborador deste blog, escreveu com Adriana Modesto um <a href=\"http:\/\/academiadepacientes.com\/2016\/10\/24\/primeiro-post-do-blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">interessante artigo<\/a> sobre raras com esta perspectiva. \u00a0Mas, como as pol\u00edticas p\u00fablicas sobre raras ainda s\u00e3o relativamente recentes no Pa\u00eds, ainda carecemos de mais artigos nesta perspectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em parte por conta desta cultura pol\u00edtica que funda o SUS, os doentes raros enfrentar\u00e3o desafios na efetiva consolida\u00e7\u00e3o de seus direitos. O campo do acesso a medicamentos de alto custo (para raras a grande maioria dos medicamentos \u00e9 de alto custo) \u00e9 altamente problem\u00e1tico por uma certa vis\u00e3o empobrecida do que seja &#8220;valor&#8221; por parte das autoridades regulat\u00f3rias (mas essa conversa fica para depois).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, eu diria que, somente com novas perspectivas te\u00f3ricas, ainda n\u00e3o dominantes no Brasil ou sequer presentes na Sa\u00fade Coletiva, os doentes raros e seus familiares, assim como a comunidade cient\u00edfica, ver\u00e3o o tema que lhes diz respeito adequadamente tratado em termos epistemol\u00f3gicos e sociol\u00f3gicos. \u00a0Este blog representa o primeiro passo mais sistem\u00e1tico neste sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><em>As pessoas que vivem com doen\u00e7as raras muitas vezes se perguntam por que seus problemas n\u00e3o s\u00e3o melhor compreendidos por gestores de sa\u00fade ou por pesquisadores em ciencias sociais\u00a0no Pa\u00eds. Parte da resposta pode estar no modo como a Sa\u00fade Coletiva se constituiu no Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":188,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[7,8],"class_list":["post-13","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-trocando-em-miudos","tag-saude-coletiva","tag-sus","infinite-scroll-item","resize-featured-image"],"aioseo_notices":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false],"thumbnail":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:150\/h:150\/q:mauto\/rt:fill\/g:ce\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:300\/h:200\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false],"large":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false],"1536x1536":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false],"2048x2048":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false],"mailpoet_newsletter_max":["https:\/\/mlzfzsux7b5d.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/f:best\/https:\/\/academiadepacientes.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sewing-needle-541737_640.jpg",640,426,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Cl\u00e1udio Cordovil","author_link":"https:\/\/academiadepacientes.com.br\/?author=2"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As pessoas que vivem com doen\u00e7as raras muitas vezes se perguntam por que seus problemas n\u00e3o s\u00e3o melhor compreendidos por gestores de sa\u00fade ou por pesquisadores em ciencias sociais\u00a0no Pa\u00eds. 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